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Chiara Ferragni Unposted: Por que o documentário da blogueira mais famosa do mundo é inspirador?

  • por em 20 de dezembro de 2019

Uma garota loira, apaixonada por moda e internet, que resolve criar um blog para compartilhar seu estilo de vida. Nada demais ou muito inovador, certo? Não em 2009 e muito menos quando estamos falando de Chiara Ferragni, a maior “empreendedora digital” do mundo – como ela mesma se define.

No começo do mês, foi lançado mundialmente, pelo Amazon Prime, o documentário sobre a história da criadora do blog The Blond Salad. A italiana foi uma das responsáveis por mudar a relação do fechado universo da moda com as pessoas comuns e, inevitavelmente, inspirou o boom de blogueiras que ocorreu nos últimos dez anos.

A produção Chiara Ferragni Unposted, dirigida por Elisa Amoruso, é muito mais do que selfies e looks do dia, assim como a vida de sua protagonista. Ao longo dos seus 85 minutos, o documentário nos dá um panorama de como Chiara transformou sua paixão pelas câmeras (algo que é mostrado que vem desde sua infância, em registros feitos pela sua mãe) em uma profissão que, até então, sequer existia. E isso por si só já é inspirador!

Aos 32 anos, podemos considerar que a empreendedora criou um verdadeiro império. Ela é CEO do The Blonde Salad Crew, uma empresa que envolve não apenas o site, como também uma bem estabelecida marca de moda, calçados e acessórios. Além disso, o escritório ainda trabalha com marketing digital e representa outros influenciadores.

Que mensagem o documentário passa?

Considero que o grande destaque da produção não é mostrar a vida, que por muitos é considerada perfeita, da blogueira que ganhou o mundo. É muito mais do que isso. É sobre uma mulher que, com sua personalidade, conseguiu não apenas abrir as portas da moda para si, mas, de certa forma, criou para tantos outros entradas que sequer existiam.

Em uma época em que as primeiras filas de desfiles eram destinadas a grandes editoras de moda, ela conquistou seu lugar. Em um mundo de negócios em que os homens são os grandes executivos, ela sentou na cadeira da presidência. Em meio a discursos de que moda é futilidade, ela virou estudo de caso em Harvard. E para quem dizia que era algo passageiro, se tornou uma marca consolidada e fez milhões (de seguidores e euros, diga-se de passagem).

Chiara foi uma das personalidades que tirou a moda das distantes páginas de editoriais de revistas e trouxe para a vida. Você pode não conseguir comprar o Balmain exibido por ela na última Semana de Moda de Paris, mas ainda assim sente aquele item mais perto de si. Mais real.

Mas não se engane. O documentário também mostra as fragilidades e frustrações de sua protagonista, como quando teve um problema durante a gravidez. Uma das partes mais polêmicas, aliás, é quando ela expõe a traição que sofreu do ex-namorado e ex-sócio Riccardo Pozzoli, um dia antes de dar à luz.

E se ainda há aquela ideia passada de que ou a mulher é bem sucedida profissionalmente ou tem uma boa vida pessoal, mais uma vez, Chiara está aí para quebrar paradigmas. Sabia que o casamento dela teve o mesmo impacto midiático que a união do Príncipe Harry com Meghan Markle?

Casada com o rapper italiano Fedez e mãe do fofo – e já carismático – Leone, ela prova, tanto no documentário, quanto em suas redes sociais, que qualquer mulher pode ser mil em uma.

Claro, não vamos ignorar todos os privilégios que a cercam, mas não dá para negar que é um desafio para qualquer mulher ter que viajar a trabalho para diferentes países, às vezes por semanas, e deixar a família em casa, especialmente um baby. Em seu Instagram mesmo, Chiara sempre fala sobre as questões que a cercam em relação a ser uma boa mãe e esposa e manter-se fiel a seus objetivos profissionais.

A mensagem que fica do documentário, pelo menos para mim, é confiar nos seus instintos, ainda que todos digam que esse não é o caminho. Se for o que você acredita, o que faz sentido para você, apenas vá. De alguma forma, isso voltará para você. Pode parecer clichê? Talvez! Mas as melhores narrativas – sejam na ficção ou na vida real – também são feitas deles!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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