Fashionistando

Suspended Time – Projeto de autorretratos do fotógrafo Márcio Rodrigues

O isolamento social é curioso. Cada indivíduo reage de uma maneira diferente. E para mentes inquietas, acostumadas a explorar o universo criativo, podemos dizer que duas coisas podem acontecer: ou você pira ou cria. E no caso do fotógrafo Márcio Rodrigues, a criação tomou conta do seu estúdio fotográfico. Acostumado a fotografar as modelos mais famosas do Brasil em campanhas de moda, durante a quarentena, ele fotografou ele mesmo.

Quem é Márcio Rodrigues?

Para quem não sabe, Márcio Rodrigues é um dos fotógrafos mais aclamados de Belo Horizonte (quiçá, do Brasil). Com mais de 20 anos de carreira, Márcio se destaca por criar campanhas emblemáticas, não apenas na moda. Ele já foi eleito como um dos cinco melhores fotógrafos de moda do Brasil, no prêmio “Melhores da Fotografia”, e coleciona trabalhos publicados nos Anuários de Nova York, Londres e Revista Archive.

Suspended Time

Durante a quarentena, Márcio precisou ficar alguns dias isolados. “Suspended Time é um projeto de autorretratos que fiz enquanto quarentenado sozinho no meu estúdio, depois de voltar de uma viagem onde passei por quatro aeroportos e duas rodoviárias”, explicou em seu perfil no Instagram.

Foram 14 dias de isolamento aproveitando luzes naturais que entram pelas janelas e persianas do estúdio. “Foram dias de introspecção, ressignificação e autoconhecimento, além da barba e cabelo sem cortar. Uma lembrança de um tempo de silêncio, de solidão, de pensamentos conflitantes, de angústias alternadas. De um tempo imprevisível e quase irreal”, disse o fotógrafo.

Como resultado desses dias isolado, um ensaio fotográfico artístico. Criativo, belo e com um significado profundo. Veja as fotos:

“Durante os 14 dias que fiquei quarentenado no estúdio, tentei não interromper a rotina de academia. Usando uns elásticos e improvisando equipamentos, deu pra manter a forma”
“Dormir no sofá do camarim foi a solução mais prática. Apesar de ser muito frio e à noite fazer uns barulhos estranhos…”

“Tomar café aproveitando ο Sol do inverno pela manhã, dentro da minha sala , foi um hábito saudável cultivado nesse período e que nunca havia experimentado antes”, contou o fotógrafo.

“Fazer autorretratos é sempre difícil, mas esse especialmente foi complicado (arrumando a cama). Eu colocava um tripé no lugar onde eu iria estar, fazia o foco, tirava o tripé, disparava a Câmera e tinha 10 segundos para executar a ação de arrumar a cama. Fiz isso umas 20 vezes até conseguir o movimento natural”, disse.

“Uma das mais difíceis situações do isolamento foi ter que passar meu aniversário sozinho e quarentenado. Cantamos Parabéns com a família remotamente , via Zoom”.

“Uma das dificuldades do isolamento foi se alimentar adequadamente. Todos os dias eu ia na minha casa na hora das refeições, minha família trazia a comida no carro, todos devidamente protegidos. Às vezes eu comia dentro do carro mesmo, às vezes eu trazia pro estúdio”.

“Um dos autorretratos mais difíceis que fiz durante o isolamento no estúdio foi esse no banho. Disparava a Câmera, 10 segundos, corria, fechava o Box, atuava, clicava, saía, enxugava as mãos, molhava todo o banheiro, desembaçava os óculos, conferia se a foto ficou boa. Repeti isso 14 vezes”.

“Uma das vantagens de ter ficado quarentenado no estúdio no inverno, se é que existe alguma vantagem nisso, é a qualidade e beleza da luz nos finais de tarde. Sempre quente e aconchegante”.

“Pelas frestas, mágica. Meu Personal Lightroom.”

“14 dias são 2 semanas. São 336 horas. É muito tempo”.

Um dos trabalhos mais incríveis que tivemos a oportunidade de apreciar nesta quarentena. Para conferir essas e outras fotos do super Márcio Rodrigues, siga @marciorodriguesphoto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.