Fashionistando

O que devemos aprender com o caso Pugliesi

Quem se atualizou do mundo pelas redes sociais, nos últimos dias deve ter visto uma grande polêmica envolvendo a blogueira fitness Gabriela Pugliesi. Ela promoveu uma festa em sua casa, no último final de semana, e gravou vídeos juntamente com amigos. Em um deles, inclusive, ela grita “F**a-se a vida” em alto e bom som.

Como se o fato de se reunir com amigos em casa e publicar nas redes não fosse grave por si só, o caso conta ainda com um terrível agravante: foi justamente no casamento da irmã da blogueira, na Bahia, que surgiu o primeiro caso registrado do Covid-19 no país, o que fez com que dezenas de convidados, incluindo Pugliesi, fossem diagnosticados com o vírus.

É claro que a revolta nas redes sociais de Gabriela, seu marido e convidados presentes foi generalizada, o que fez com que ela gravasse vídeos pedindo desculpas. Obviamente, o ato não foi o bastante para consertar o grande erro e as consequências vieram: 15 marcas já cancelaram seus contratos com a “musa fitness”, incluindo Kopenhagen, Rappi, Desinchá e Hope. Gabriela, que é super presente no Instagram, desativou a sua conta diante da má repercussão.

E aí fica a pergunta: O que esse caso deve nos ensinar?

Antes de tudo, é preciso avaliar o que essa pandemia tem nos ensinado. Mais do que nunca, vemos que ações individuais impactam o coletivo em um nível mundial. Qualquer atitude nossas hoje pode ser responsável por milhares de vidas e mortes.

Não são aceitos mais pensamentos como: “não sou grupo de risco” ou “uma saidinha não vai afetar nada” e muito menos “já estou imunizado”. Nesse momento, lidamos com muito mais dúvidas do que certezas e, por isso, todo cuidado é muito pouco. Mas isso, espero, vocês já sabem e estão conscientes.

Nesse caso específico da Pugliesi é importante avaliar a quem damos voz. Existe uma frase bem conhecida e que cabe bem nesse contexto: “Stop making stupid people famous” que, em tradução livre, significa: pare de fazer pessoas idiotas famosas. E por favor, isso não é um hate à Gabriela e sim uma avaliação muito mais ampla, a partir desse exemplo.

O que quero dizer é que, em um momento em que cada pessoa tem, mais do que nunca, o papel de salvar esse planeta de um inimigo invisível em comum, é essencial fazer uma autoavaliação sobre para quem estamos dando palco.

Quantos canais realmente comprometidos com a informação você segue?Quantas pessoas que fazem diferença para o coletivo você acompanha? Quem são suas referências? Não dá mais para viver de discursos vazios do tipo “a vida é mara”, “esse item você tem que ter”, “veja meu closet milionário”.

Existe uma cena clássica do mundo das sub-sub-celebridades da Nana Gouvea (nem sei definir sua profissão) tirando fotos em meio ao estrago causado pelo furacão Sandy, nos Estados Unidos, em 2012. Obviamente, ela foi super criticada na época pela falta de noção e sensibilidade (nem vou falar da ausência de bom gosto). Mas o quanto essas imagens toscas e que viraram memes se diferenciam dessa alienação de certos influenciadores digitais atualmente? Para mim, estão todos na mesma caixinha.

O que propomos?

Enquanto muita gente indica fazer uma limpeza no guarda-roupa, por que não aproveitar o isolamento social para fazer uma limpa nas suas redes sociais? Vamos valorizar pessoas realmente comprometidas com conteúdos relevantes e que impactam positivamente nossas vidas e a sociedade. É possível sim aliar entretenimento com informação; diversão com compromisso social.

Linchamento social não é solução. É apenas maldade. Ao invés de se esconder por meio de arrobas para despejar ódios e criticas em pessoas que erraram, prefira valorizar aquelas que fazem um bom trabalho. É simplesmente o ato de trocar o vazio pelo cheio. Incentive marcas a trabalharem com verdadeiros produtores de conteúdos, elogie, faça críticas construtivas e compartilhe suas ideias.

Vamos construir uma comunidade do bem, preocupada com o coletivo, e deixar que aqueles que não entenderam esse novo cenário mundial vivam suas vidas coloridas isolados em suas bolhas de cristal.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.